Sobre o núcleo
NEMES
O Núcleo de Estudo em Mídia, Emoções e Sociabilidades (Nemes) privilegia o desenvolvimento de pesquisas em que as emoções operam como categoria analítica para investigar fenômenos sociais e políticos mais amplos. Nossos estudos se debruçam sobre a produção, a circulação e a contestação de discursos sobre emoções ou de discursos emocionais nos seguintes eixos:
- Analisar a pedagogia das emoções promovidas na mídia para oferecer modelos de conduta, personalidades e performance social orientadas pela regulação de estados e posturas emotivas;
- Investigar debates acerca de testemunhos e manifestações emocionais de ampla repercussão na mídia, em uma conjuntura marcada por avanços tecnológicos, neoliberalismo, reimaginações da sociabilidade e polarização política;
- Examinar as implicações e as controvérsias ligadas às intersecções entre regimes emocionais e questões de gênero, raça, classe e sexualidade.
Por que pesquisar emoções?
Desde os anos 1980, o estudo das emoções vem interessando cada vez mais antropólogos, sociólogos, filósofos e historiadores do universo acadêmico estadunidense e europeu — diversificando uma discussão que, até meados do século XX, era praticamente restrita à área da psicologia. Os autores das ciências sociais, então, procuram repensar pressupostos epistemológicos e metodológicos, e conceitos fundamentais do campo. Nas últimas décadas, um movimento similar ocorre na América Latina.
Até os anos 1980, dois paradigmas teóricos guiavam os interesses pelo tema:
- as perspectivas naturalistas interpretam as emoções como reações biológicas humanas, tomando-as como processos congênitos vivenciados igualmente por todos e passíveis de mensuração e indução;
- as perspectivas subjetivistas tomam as emoções como expressões particulares e restritas à interioridade dos indivíduos, que deveriam ser decifradas apenas por peritos do campo psi.
As abordagens das ciências humanas e sociais se distanciam desses modelos, ao analisarem a construção das emoções dentro de contextos linguísticos, estruturas sociais, imaginários culturais e ambientes normativos específicos. Esse paradigma, tributário da virada linguística nas ciências sociais, possibilita investigações de fenômenos que outrora foram considerados desinteressantes ou irrelevantes por serem apontados como predefinidos ou totalmente particulares.
As emoções e o campo da Comunicação
Apesar do desenvolvimento dessas investigações em outros campos das ciências sociais, não detectamos essa tendência na área da Comunicação Social. No entanto, há uma miríade de publicações em redes sociais, reportagens, publicidades e produções audiovisuais que prescrevem, mobilizam e compartilham experiências e condutas emocionais — não apenas como chamariz de venda, mas para induzir reflexões, monitoramentos e intervenções guiadas por objetivos como honra, bem-estar, disciplina e produtividade.
A mídia produz e circula pedagogias de emoções para organizar comunidades baseadas na comunhão pelo ódio e pelo ressentimento ligado a minorias, para prescrever comportamentos emocionais adequados em dado contexto, para orientar como devemos nos sentir em relação ao Outro e para determinar estados emocionais que nos seriam prejudiciais, por exemplo.